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O obsessivo impossibilita o desejo quando tenta fazer do amor uma burocracia: requisitos a serem preenchidos, matemática de encontros, anulação daquele gesto que arrebata o sujeito, retirando-o do controle da situação. Assim salva o ideal. O da autonomia também.
[Ana Paula Gomes]



O amor na neurose obsessiva: quanto mais o sujeito ama, mais em dúvida fica a respeito do que sente, então tende a achar que não é amor. Quanto mais sente que é amado, mais culpado se sente por receber um amor do qual não se acha merecedor. Quer articular amor com saber.
Quer passar a sua vida "meio morto". E assim o faz.
[Ana Suy Sesarino Kuss]

Sigmund Freud chamou de neurose de destino o sentimento permanente de fatalidade que se impõe aos nossos esforços de mudança e transformação; psiquicamente, a lei maior de nossas escolhas está condicionada pelo cruzamento da possibilidade do futuro com as heranças do passado.
“Não é uma questão de passar o cuidado dos outros para o primeiro plano, colocando-os no cuidado de si mesmos; o autocuidado é eticamente o primeiro, na medida em que a relação a si mesmo é ontologicamente a primeira”.
-Michel Foucault-

NEUROSE NOSSA DE CADA DIA
É muito chato quando o papel que a gente escreve pra pessoa ser é muito mais legal do que ela é, mas ainda assim ela insiste em ser ela mesma.
Acho um absurdo isso das pessoas serem o que são e não o que a gente acha que queria que elas fossem, mas que se fossem, a gente não ia mais querê-las.
PARA 2018
“Sabem aquelas famigeradas listas de ano novo onde a gente escreve (de verdade ou mentalmente) tudo aquilo que a gente acha que devia fazer?
Eu desejo que no ano que vem vocês realizem muitas das coisas que não estão nelas.
A psicanálise nos ensina que desejar não é o mesmo que querer, e que é o desejo, e não o querer, o fundamental na nossa vida. Enquanto o desejo não tem objeto, o querer tem. A gente quer coisas, a gente quer pessoas, a gente quer e consegue, a gente quer e falha, e às vezes a gente queria querer, mas na verdade nem quer mesmo, mas não percebe, insiste e sofre.
O desejo, diferentemente do querer, não tem objeto. O desejo é movimento e não se realiza plenamente. De vez em quando o desejo se veste com roupa de querer, aí a gente consegue aquela coisa e pro desejo não morrer, ele se desloca pra outra coisa. Porque desejo é desejo de desejar! Tanto é que as coisas mais deliciosas que a gente consegue na nossa vida, longe de nos satisfazer, elas nos levam a des…
Ao invés de tentar controlar a situação, controle sua reação diante dela.  Então a situação mudará.


Caminha lento... não te apresses, pois o único lugar que tens que chegar é a ti mesmo!
Ortega Y Gasset
A IMPORTÂNCIA DO FUNDO DO POÇO ou: Abandonar também é amar Se alguém perto de você está cometendo os mesmos erros várias e várias vezes, é natural querer ajudar. Também é natural insistir na ajuda, ainda mais quando se trata de alguém que você ama muito. Mas, se você está tentando muito evitar que alguém sofra, ou caia no mesmo padrão de erros que repetiu muitas vezes, deixo uma sugestão: Abandone. Não por falta de amor, mas por amar. -- Na solidão e sofrimento inevitáveis que o fundo do poço traz reside uma capacidade de ganhar lucidez que estar protegido e guardado de chegar lá não permite. Tirar carinhosamente a mão de uma pessoa que insiste em tentar tocar o fogo nunca vai ensiná-la a não fazê-lo mais. A dor e o arrependimento de uma queimadura são professores muito melhores. Abandonar alguém aos seus próprios recursos é justamente o que faz essa pessoa questionar se realmente tem os recursos que acredita ter: sem alguém para recuperar ou protegê-la, e sem capacidade de realmente…
SOMOS FEITOS DE TEMPO!!!
"Viver - essa difícil alegria. 
Viver é jogo, é risco.
Quem joga pode ganhar ou perder. 
O começo da sabedoria consiste em aceitarmos que perder também faz parte do jogo.
Quando isso acontece, ganhamos alguma coisa de extremamente precioso: ganhamos nossa possibilidade de ganhar. 
Se sei perder, sei ganhar. 
Se não sei perder, não ganho nada, e terei sempre as mãos vazias.
Quem não sabe perder acumula ferrugem nos olhos e se torna cego - cego de rancor. 
Quando a gente chega a aceitar, com verdadeira e profunda humildade, as regras do jogo existencial, viver se torna mais que bom - se torna fascinante. 
Viver bem é consumir-se, é queimar os carvões do tempo que nos constitui. 
Somos feitos de tempo, e isto significa: somos passagem, movimento sem trégua, finitude. 
A cota de eternidade que nos cabe está encravada no tempo. 
É preciso garimpá-lo, com incessante coragem, para que o gosto de seu ouro possa fulgir em nosso lábios" 
(Hélio Pellegrino)